quinta-feira, 2 de março de 2017

Sociedade e o reconhecimento da atitude estética



Pensar em arte implica na determinação de fenômenos de ordem econômica, cultural, social e/ou política que possa explicar sua causa; e compreender que agentes social e cultural se utilizam dos artefatos artísticos, observam sua raridade, originalidade e referências do artista, pois consideram que o indivíduo humano tem capacidade de produzir objetos e a estes atribuir valor. A atitude estética que sistematiza o estatuto de arte a um objeto.
A sociologia da arte entende suas limitações para explicar a dimensão social da arte, como: compreensões ou explicações objetivas, leis ou regras que garantam confiabilidade e a pluridiversidade do gosto e do belo.
Os estudos psicológicos, históricos e estéticos fogem ao campo de estudo exclusivo à Sociologia, pois os juízos de valor da obra de arte estão dependentes de valores dominantes constituídos historicamente no momento e no meio em que acontece. Os valores morais que a representam equivalem ao estudo da própria arte enquanto ciência para acompanhar, também, os processos de produção e consumo social.
O objeto de arte não se produz sozinho, há um complexo senso histórico que a realiza e ao artista, este por sua vez é homem social. A obra de arte e o artista estão interligados enquanto produtos sociais representantes da avaliação e do julgamento da sociedade e/ou da consciência de um povo de determinada época. Estão representantes da manifestação estética, o que revela a influência do ambiente moral sobre o objeto de arte.
Perceber ou interpretar uma obra de arte não é fruto de inatismo ou aptidões ambientalistas, mas da interação do artista com o ambiente onde vive e este aprende e apreende a lógica dos valores vigentes. O artista é o resultado/resposta sócio-cultural produtor do objeto de arte.
O significado da obra de arte serve para conectar os indivíduos de uma mesma época e criar laços desse indivíduo, também, com a ancestralidade. O conteúdo representado no objeto de arte pode expressar valores culturais que serão defendidos ou esquecidos por um país, sociedade, comunidade, tribo ou aldeia. Essa expressão é a dimensão simbólica dos rituais sociais que constituem o pilar sócio-cultural.
As culturas mudam e as relações entre arte e sociedade estão dinâmicas e passivas, pois o significado de uma produção artística é dependente de sistema partilhado de símbolos e estes estão em constante transformação.
O artista ao produzir um objeto de arte veste-o de concepções ideológicas que ovacionam determinado projeto de sociedade como pode, também, condenar esse projeto. A ação do artista serve como interprete do coletivo cultural à qual pertença e ao interpretar expõe a realidade de seus pensamentos e sentimentos relacionados ao meio de onde frui o objeto de arte.
O tempo não modifica a obra de arte. O tempo modifica a sociedade que a interpreta. A apreciação da qualidade, os juízos de valores que dependem das ideias, interesses e gostos determinados pela sociedade e pela cultura de uma época. O artista não é imune as influências do meio socialmente constituído e sua presença no ambiente tornaram-no capaz de aplicar sua atitude estética nos objetos de modo a dar-lhes estatuto de arte.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA



BARROSO, Paulo. Arte e sociedade: Comunicação como processo. In: SOCIEDADES CONTEMPORÂNEAS: REFLEXIVIDADE E ACÇÃO, 12 a 15 de Mai. 2004, Braga. Acta dos ateliers do Vº Congresso Português de Sociologia. Lisboa: Associação Portuguesa de Sociologia, 2004. p. 79-86

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